16.7.03

Sou tão infância agora, me desculpe, são apenas plágios de um passado não terminado. São fantasmas que me assombram com saudades de uma época em que a doçura e a inocência eram tão naturais quanto imperceptíveis. Quando costumava permanecer por horas deitado vendo as estrelas, junto aos meus fiéis amigos. Em um mundo em que as luzes celestes me traziam apenas inspiração, belezas infinitas. (Hoje, traz-me uma leve tristeza, por saber que minha vida são como elas, lembranças.)
Fazem-me caminhar sobre as nuvens e poder me ver lá em baixo, feliz sem saber o por quê. A alegria e o riso são tão constantes, verdadeiros. Sou como um sonho. Tudo é. Capaz de equilibrar no alto de um prédio sem a preocupação de cair. Poder gritar meio a multidão sem ter vergonha. Andar por traços desconhecidos, guiado pelos relórios naturais. Ah, quanto mais me vejo, mais me odeio. Mais quero exonerar-me. Tudo parece recordações de um sonho distante e saber que são apenas laços confusos faz-me esquecer o futuro. E quando tento apenas olhar o agora, vomito em suas vestes torpes, pois o que era belo fora sucumbido.
Perturbação. Assim sempre será, enquanto esses fantasmas persistirem em viver.


[Listening to: A-ha - Solace - (04:20)]

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