Este passado gravado,
eternizado em lápides humanas
são as sobras da memória
conduzida por quilômetros a fora
ao desespero, ansiedade, vontade...
Ao distante não se arriscou, mas o suficiente
para alertar-me da proximidade do fim
O distinto e solitário fim carnal.
No instante em que o vento sopra
as folhas das gigantes paisagens
deleito-me com a mansidão do vazio
virando as páginas desse álbum ingrato
Faz-me lembrar que outrora fui sóbrio
Misturava-me ao ritmo da canção
contaminando com os prazeres joviais
Em um lapso o Rei, nos seguintes o Faminto
Queima! Queima!
Isola esta epidemia descontrolada
que me ataca em alucinações
da beleza perdida, do amor corrompido
Ainda posso tocá-la, pele macia
senti-la na mais profunda das sensações
Como se tudo existisse,
flocos de neve flutuassem...
Derretessem na exaustão do fogo
da irrealidade inacabada.
Desfigura-se a última cinza
das folhas de ontem
semelhante a nostalgia
Entregada aos que mentem.
11.7.03
Postado por Foka às 7/11/2003 05:03:00 PM
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