2.7.03

Hoje, um dia como outro qualquer, acordei com o despertador do pensamento. Em breve terei que me misturar com o ar lá fora, conhecer diversas faces, entender sons confusos, exercer as tarefas de sempre... O engraçado é que cada um desses ciclos deveriam ser diferentes, misteriosos, já que se trata do tempo não crescido. E não são. Em sua índole, todos são iguais. Sua influência em minha existência a transforma na tola mesmice. As horas consumidas acabam se tornando completamente vazias. Se não há sentido, este nasce onde há o vácuo preenchendo a ausência. Flechas ferem meu consciente com a mesma questão: há de ser diferente quando, em um presente quase inexistente, o fim se torna o começo? Em minha falha memória, não há registros de um passado distinto. O presente não há de ser diferente. Começo a me inclinar para a teoria de que a vida é folha seca pisoteada por ela mesma: apenas existe, como tudo. Como o ciclo.

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