15.11.02

Sua recordação é minha dor
Peterson Foka

Insisto em confiar no meu âmago
Corta minha dolorosa carne
Alerta-me da ambiguidade
Ignoro em minha tolice
Até que a luz se apague

Como evadir deste frasco
Cercado, atormentado?
Inspiro esta infamia
Penetra em meu ser
Tornar-me-ei esta desventura?

Não se aproxime
Nem me diga que sou uma rocha
Minha imagem transcreve a fortidão
Enquanto meu íntimo derrete em lágrimas
Mas isto você não pode compreender

Tente se recordar
Do inoportuno dia que me entreguei
Renunciei da minha coroa,
Para ser teu amado, teu amante
Não achaste que foste deveras?

Esta escravidão,
Imposta pela ebriedade
Caro varão da irrealidade
Deteriora minha mansidão
Aterra minha sanidade.

Oh, amiga da inocência
Fez me conhecer a penumbra
Alegrou tua alma este maldoso feito?
Agredeço por ao menos
Ter sido fiel a tua mente

Certamente me recuperarei
Tarde para te esquecer
Mas seguirei com esta flecha
Viajarei com teu cajado
Conviverei com teu arrependimento.

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