18.11.03

Arrebato a tolice humana em sua total ignorância a ponto de chegar ao limiar da existência, onde todos os estilhaços se uniram para formar este abstrato, na exata condição que me faz ser quem sou. As vozes que ao redor se formam gritam por sofrimento e amargura, não do modo que eu receio em existir, mas sim na pura existência que não receio em entender. Não há mais vultos e ostentações sem formas, tudo se torna concreto ao sofrer a erosão do tempo, e, não tarde, vê se face a face com o amanhã, cobre-se com migalhas e se torna uma simples lembrança. Esta lei é natural e não deve ser alterada por mim. Longe disto, minha imaginação perpetua a viscosidade de meus sentimentos, altera todas as regras não permitidas e lança-se no abismo do esquecimento. Lá é possível olvidar sem deixar de lembrar, morrer sem deixar de viver. O inóspito deveria ser tão real quanto o gélido que sustenta as forças de minha mente. No entanto, não passa do sopro do vento no outono, com todas suas folhas secas e abandonadas.

[Listening to: Rainy Day - Guster - Lost and Gone Forever (05:23)]

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