Não há
Peterson Foka
Não há de ser
você, ao meu ver
em teu encanto excelso
o ontem que não veio
(nem o amanhã que passou)
aos meus olhos, como uma luz
a eternidade que me persegue
esta condição, que me fere
pelo tempo que não se perdeu
na angústia recordação do desejo
de caminhar com calor
pelas trilhas inexploráveis
deste sentimento irreal.
Traga-me, sem poder carnal
alma minha, sem tua voz
ecoando no silencioso labirinto
que nos uniu
(e nos separou)
pelo motivo que não sei
talvez pelo andar que demorei
ou pela esperança que castiguei?
Não há cor no céu
se oculta-se com teu véu
nem ondas no oceano
se não enxergo o teu olhar
que outrora vez-me ver teu coração
(cadenciado com o meu)
quando tua forma de atacar o ar
e o movimento suave, ao andar
surpreenderam minha razão,
confundiram meus trajetos
subestimaram meus sentimentos.
Não há riso aparente
em tua face, resplandecente
pelo destino que te encontrou.
Teus passos seguem, sem coerência
alimentados por tua quimera
pois em horas certas, visita-te a carência
não do desejo, mas da escolha que fizera.
Sei que o medo te afronta
quando o incerto ameaça o faz-de-conta
Mas se insistes ignorar a vida que aflora
Não condenarás o teu ego
quando viveres onde já não mora?
Não há minutos sem segundos,
Tampouco motivo se ausente
da vida minha que partiu
São tudo flashes em minha mente
daquele momento que eternizou
a simplicidade do teu gesto
sem tocar-me, sem querer-me
apenas observara, tudo e o resto
como sempre há de ser
você sublime, ao meu ver
o impossível, mesmo que nada diferença
este rascunho sem esperança...
Não há eu em tuas palavras
mesmo que você note-me, em dúvida
do amor escrito em carta outra lida
Se não acreditas que meus sonhos são você
e o real não mais importa
Por que não volta
e sinta este ardor que me corta?
Ainda que a angústia venha me provar
aguardarei a chuva cessar,
Porque sem você o amanhã não há
Não há.
20.8.03
Postado por Foka às 8/20/2003 03:03:00 AM
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