7.8.03

ADEUS
Lord Byron

Adeus! e para sempre embora,
Que seja para nunca mais:
Sei teu rancor - mas contra ti
Não me rebelarei jamais.

   Visses nu meu peito, onde a fronte
   Tu descansavas mansamente
   E te tomava um calmo sono
   Que perderás completamente:

Que cada fundo pensamento
No coração pudesses ver!
Que estava mal deixá-lo assim
Por fim virias a saber.

   Louve-te o mundo por teu ato,
   Sorria ele ante a ação feia:
   Esse louvor deve ofender-te,
   Pois funda-se na dor alheia.

Desfigurassem-me defeitos:
Mão não havia menos dura
Que a de quem antes me abraçava
Que me ferisse assim sem cura?

   Não te iludas contudo: o amor
   Pode afundar-se devagar;
   Porém não pode corações
   Um golpe súbito apartar.

O teu retém a sua vida,
E o meu, também, bata sangrando;
E a eterna idéia que me aflige
É que nos vermos não tem quando.

   Digo palavras de tristeza
   Maior que os mortos lastimar;
    Hão de as manhãs, pois viveremos,
   De um leito viúvo despertar.

E ao achares consolo, quando
A nossa filha balbuciar,
Ensiná-la-ás a dizer "Pai",
Se o meu desvelo vai faltar?

    Quando as mãozinhas te apertarem
    E ela teu lábio -houver beijado,
    Pensa em mim, que te bendirei
    Teu amor ter-me-ia abençoado.

Se parecerem os seus traços
Com os de quem podes não mais ver,
Teu coração pulsará suave,
E fiel a mim há de tremer.

    Talvez conheças minhas faltas,
    Minha loucura ninguém sabe;
    Minha esperança, aonde tu vás,
    Murcha, mas vai, que ela em ti cabe.

Abalou-se o que sinto; o orgulho,
Que o mundo não pôde curvar,
Curvou-se a ti: se a abandonaste,
Minha alma vejo-a a me deixar.

    Tudo acabou - é vão falar -,
    Mais vão ainda o que eu disser;
    Mas forçam rumo os pensamentos
    Que não podemos empecer.

Adeus! assim de ti afastado,
Cada laço estreito a perder,
O coração só e murcho e seco,
Mais que isto mal posso morrer.

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