Quem disse que o passado é sempre passado? Hoje uma dessas folhas de outono que outrora se fora voltou, quase no início do inverno, e fez me a surpresa e a alegria superar este ultrapassado orgulho. Observo que viventes seres preferem ocultar seu pretérito e empurrar sua carroça para frente, mas esquecem de que essa carcaça sempre estará lá, atormentando-o até que resolva o que mal terminou. Há poucas horas eu fazia parte desses incluídos nas teias do egoísmo e arrogância que impedia-me de pronunciar uma simples vogal quando confrontava-me diante tal condição. A rispidez daquelas fotos em minha mente eram mais fortes do que eu, mesmo meu ego não admitindo, errava cada vez mais em sua cega certeza. Fui tolo em persistir naquilo que regredia-me em pó... vejo agora o quão tempo perdi. Mas nosso destino é conhecido apenas por quem nossa fé é exaltada e nada sabemos desta pacata história. Tantos encontros foram armados, tantas situações foram apresentadas, e eu as ignorei com pensamento de superioridade. Idiotice. O tempo esvaeceu e quanse tombei em sua casca. Sorte minha que, em um lapso de tempo, a última lasca se rompeu em minha direção e a segurei com minha alma, trazendo-a de volta a sua forma que fora esquecida por muitos. O passado fora resgatado e o impasse resolvido, permitindo que a água daquele rio pudesse em fim evacuar em direção ao mar. O mais surpreendente é que o gosto, mesmo após miturar-se com as águas salgadas, continua o mesmo! O mais irônico é a volta que essa folha deu por anos, para só agora cair e continuar seu processo, exatamente de onde havia parado. O mais incomum é esta saliente felicidade que me toma por ter chutado a aversão e agarrado o afago. Uma nova pitada de inépcia para esta já incoerente vida.
1.5.03
Postado por Foka às 5/01/2003 01:42:00 AM
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