3.12.02

A vida se revela de modos estranhos. Muitas das coisas que existiam foram esquecidas por muitos. Não por mim. O arcaico parece não ter mais sentido neste mundo moderno, tecnológico. O que seria do mais moderno aparelho de som se não tivesse existido a vitrola? Parece que nós temos que esquecer o início para podermos continuar. Temos que esquecer os princípios, pois eles não são mais importantes. São? Mas para que devemos lembrá-los se podemos fazer da forma atual, já que tudo está tão mudado? Isso aparenta ser uma imensa tolice para quem navega em seu próprio monte, porém se torna contestável para seres que enxergam o horizonte. A coisas não mais parecem terem tanta importância. Somos como formigas perdidas na floresta, podemos ir por vários caminhos. Para que ser importar com as pegadas que deixaremos? Não há mais preocupação em fazer sem ter terminado, em saber sem ter conhecido, em achar sem ter encontrado. O prazer de muitos é apenas sentir aquela ótima sensação da cachoeira em suas faces, e ir embora quando ficar fria. Cegos, tolos não entendem que terão que enfrentar a tempestade que está a chegar. E quando estão encurralados meio ao dilúvio, tomam consciência de que o ato feito foi em vão e que serão sentenciados por isso. Mas após o sol renovar o fará diferente? Parece que as pegadas foram cobertas pela ventania do deserto e nunca mais serão recordadas. Infelizmente não vivemos em um deserto e sim em uma estrada de lenha. Se a estrela existe, é para nos avisar a luz que demonstra sempre brilhar da mesma forma é uma ilusão aos nossos olhos, pois são fracos e traiçoeiros. É um desafio para enxergarmos de outra forma. Quem está preparado para isto? Quem sabe da sua existência? O caminho que tomamos nos levará ao lado errado. Mesmo assim elas continuam reluzindo sobre nossas cabeças, sempre tentando dar o sinal. Enquanto não for o fim, há esperança de que o capitão olhe para o céu e compreenda que as lágrimas das constelações é nossa sua culpa.

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