Mais uma vez aqui, no imperdível mundo de recordações, gestos, sons e palavras. Ouço uma seqüência sonora, que faz me lembrar do tempo não vivido, de momentos que não existiram. Tempo em que se podia correr livremente pelo bosque, encontrar caminhos secretos nas entranhas da natureza. Ah como era bom escutar o som da cachoeira tocando as pedras, o borbulhar das águas recém nascidas, o interminável movimento causado pelos ventos... Penso em ainda um dia poder reviver isto, nem que seja por um breve momento. Talvez desta vez não mais sozinho, talvez com alguém que, em algum lugar deste macro universo, esteja pensando o mesmo que eu. Se por um segundo, nossos pensamentos pudessem se cruzar, poderia eu ter um sonho melhor. (...) Talvez eu já te conheça. Talvez seja uma recente aparição. Talvez não exista. Tudo pode ser apenas fruto da mina fértil imaginação, que busca em alguém algo que já foi encontrado, porém não existem semelhanças. Ou existem? Oro para que sim. A confusão em minha mente começa quando penso já ter encontrado. Não uma, mas duas luzes que persistem em reluzir no mais profundo consciente. Fere meu coração. Se eu apenas tivesse o poder da escolha, seria menos tortuoso. Mas como esperar em algo que já esta perdido e crer em algo além do meu alcance? Poderei eu ter uma chance meio a este oceano de espinhos? Não tenho medo de mais uma vez ser contaminado pela dor. Apenas temo por mais uma vez estar enganado. Enganando-me.
2.10.02
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