27.10.02

Bate, bate

Bate, bate
martele minha alma
Disperce meus pensamentos
Entrelace suas raízes
Em minha perturbação,
Desolação.

Viajo além dos limites
para ver-te, doce tortura
alimentado pela máscara da esperança
Por que esconde-te de mim?
Esconde o verdadeiro desfecho?

Exploda em milhões de lanças
Serão o bastante para as bastardas sentinelas...
Tentando corromper o ingênuo pesar?
Transforma-lo-ei em rocha
Que derreterá nos devaneios adormecidos
Queimará não as respostas
Mas sim a nascente que as compõe

Essas intermináveis linhas
Aprontam me agora o finito
Sou finito, assim como minhas lembranças
Não as que navegam por esta velha arca
Mas as que flutuam em liberdade
Enfraquecidas pelas hostes
Nos infundáveis caminhos perdidos
Aguardam as folhas cairem, o sol se apagar
Onde todas serão completamente dizimadas
Não restará fragmento sob fragmento
Nada passará de um silencioso vazio
Que me contentará neste feito

Para que esperar a recompensa por ser afável?
Já visitaste meu âmago
Não percebeste que este é teu tesouro?
Tome-o e compreenda
que por mais que insististe em tocar as nuvens
Sempre despejarão insultos
ao te aproximaste.

Bate, bate,
apunhala esta bomba
que só bombardeia em lágrimas
nunca se cessam, nunca se satisfazem
Seres um castigo por toda a estrada?
Ah! Até quando suportarei?
Até quando?


Peterson Foka

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