8.9.02

O dia começara bem, inesperados acontecimentos surpreenderam-me. Aquela garota a qual eu observara todas as gélidas manhãs trocou singelas palavras comigo. As vezes você caminha tanto para prosseguir com a insensata vida que acaba dando voltas no relento da noite. "Como o mundo é pequeno!", esta frase causa me enjôo. Não se boqueie à esta ingênua conclusão. Não percebe a imensidão do espaço onde vivemos? Creia que haja coincidência e eleve seu trajeto a futilidade. São nossos caminhos, que por mistériosos motivos, cruzam e nos faz viver algo. Mesmo que seja poucos momentos, há uma razão para tal. Muitos não compreendem, muitos sequer consideram e guardam no porão do pensamento - grande tolice. Um dia o quebra-cabeça será montado e estas pequenas peças poderão faltar.
(...)
O andamento do dia foi o inverso dos outros. Havia alegria na pessoas, nos pequenos fatos, o mundo parecia feliz em uma total harmonia. Achei estranho, mas logo fui me adaptando e não pude conter o sorriso. Um pensamento bombardeava-me: "É possível que o dia acabe com essa serena alegria?". Hoje, percebo que tudo foi uma preparação ao que estava por vir. No fim da noite, aquele encontro mais que casual causou me um choque: não era possível que eu me enganara denovo. Aliás, quando acertarei? Gargalhava meio a multidão como um louco. Sarcasmo, eu o mereço. Mais uma vez, tudo o que se ligava a algo concreto foi dissipado. Bom pra mim, não mais acreditarei que tudo termine bem, ao menos que já tenha terminado.

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