29.9.02

Choro

Choro pelas lágrimas derramadas
Choro pelo oceano morto
Tristeza hão pelas chuvas não terminadas
Hei de silenciar o fim torvo?


Levado aos confins do devaneio
Choro pela alegria não terminada
Choro pela tristeza não iniciada
Há saída para esse cativeiro?


Se sou eu a estatua viva
da mais pura e singela vida
Por que choro pela manhã crecida?
Medo da luz destruída?


Há tantas flores que almejam sorrir
mas por que não lamento pelos cravos a ferir?
se há dor, desprezo e solidão
Pudera eu lutar se tudo é em vão?


Quando caminho no leito da imensidão
aprecio a lança voando em minha direção
Choro pela serena aproximação
sigo assim, nesta mortal canção?


Peterson Foka

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