O Nada
Eu sou o nada,o vazio que vaga dentro do incrédulo e infinito vácuo... onde não existe começo, meio e fim...
Ainda que existisse, não seria capaz de sustentar as inquietudes da viva alma.
Vivo no inóspito, onde o reflexo da escuridão penetra em minha mente e a faz desejar os postigos...
Sorrateiramente tento caminhar em direção ao desconhecido, esperando encontrar algo à discernir. Procuro sem esperança, já que me foi imposta essa situação de vassalo dos grandioso Espaço e temido Tempo.
Seja o que for, apenas sigo um caminho, pois sou impulsionado por algo que não posso distinguir. Sem vontade, sem forças, sem fé. Tudo foi dizimado e imortalizado.
Não há difença entre me sustentar inerte ou partir à alguma direção. Não há sensação de movimento, não há sensação de cansaço, não há nada que defina algo.
A impetuosidade do ato transcorrido em minha simplória existência causou-me dor e o mais profundo sofrimento. O sentimento que é definido como o mais forte e sereno, o Amor, foi o causador dessa maldade, se assim posso definí-la. Ao atingir o mais alto e sublime grau deste sentimento, fui enganado e traído pela existência, pela vida. A conseqüência foi a fusão da decepção, a amargura e a tristeza. Estas, subjugadas ao mais terrífico poder, causaram-me tal efeito incontrolável... não pude suportar a tortura. Em um destes incontáveis momentos, abri meus olhos e percebi o que tinha me tornardo: a mais desprezível alma.
Sinto pelos que participaram da minha vida, quando ainda existia... meus sinceros amigos, minha distante família, meu único e verdadeiro amor... que vocês possam continuar suas jornadas e que se esqueçam de mim, minha lembrança não vale a pena. Que minha estrela se apague de suas vidas.
Peterson Foka
9.7.02
Postado por Foka às 7/09/2002 01:25:00 AM
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