Um conto do meu amigo Erick... mt rox!
Na memória do homem repousam as vítimas do tempo
Estamos eternamente de luto, pois tudo o que há na mente está morto. Na memória do homem repousam as vítimas do tempo. Nada é mais passado que o futuro: entre um e outro só existe um momento infinitamente efêmero que chamamos de presente. O presente é um ponto sem dimensão. É apenas um portal entre o passado e o futuro, a simples referência que nos ajuda a organizar os fatos. Uma máquina do tempo não teria utilidade se viajasse para o futuro ou o passado: esse é o tempo corrente de qualquer ser humano. A máquina do tempo tem que nos levar ao presente. A esse presente tão rápido que sequer conseguimos ter consciência dele. Quando paramos para pensar, ele ainda é futuro, ou pior: passado. Dessa forma estamos sempre viajando no tempo. Homens, homens, eu quero a máquina que me transporte ao presente! A máquina que me ajude a viver tudo aquilo que, mal tendo prometido nascer, já está sepultado na memória. Que me importa conhecer tempos futuros, ou reviver tempos passados? Eu quero viver o presente, e desesperadamente compreendo que não posso! Porque ele me escorre pelas mãos, baila ante meus olhos, mas quando eu me dou conta, já está sepultado! Não, não adianta me adiantar: ele ainda não será real, e quanto o for, estará morto. Estar vivo é estar doente. Tragam-me a máquina do presente!
(Aqui, ébrio como estou, mais do que nunca o presente passa, e eu não posso nunca capturá-lo).
Erick Paulino
16.6.02
Postado por Foka às 6/16/2002 01:17:00 PM
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